Hoje estou numa de recordações... O que logo pela manhã não é bom...

«... há que ter o máximo cuidado com aquilo que se julga saber, porque por detrás se encontra escondida uma cadeia interminável de incógnitas...» (José Saramago, in Ensaio sobre a Lucidez)


Olhei para esta imagem e recordei-me do tempo (Verão de 2001) em que me ameaçaste raptar para um voo de parapente desde o Alto da Sr.ª da Graça... E eu horrorizada contigo, a achar que eras louco!!!...
E ainda hoje, quando passo na estrada e contemplo o Alto da Sr.ª da Graça sinto um aperto no peito e tudo me dói...
Como poderíamos pensar nessa altura em que tudo começava da forma mais ingénua que acabaríamos assim...

«Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar
aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar»
(música e letra de Pedro Barroso
in álbum "Cantos da borda d'água" 1985)
É, sem dúvida, a música que mais me encanta de Pedro Barroso e a que sou capaz de ouvir inúmeras vezes seguidas...
E nos concertos, é a que mais me faz sentir um nó na garganta...
É este meu lado sentimental que me envergonha sempre... Porque por vezes o nosso olhar é capaz de espelhar toda a ternura que existe...

A cantora brasileira Ive Mendes (que me costuma acompanhar também em muitas viagens) virá ao Porto no dia 10 de Março e no dia seguinte a Lisboa apresentar o seu trabalho de estreia (gravado em Londres).
Uma voz sedutora que mistura música brasileira com ritmos mais urbanos que me conquistou há já vários meses!...
Sugestão tua!... Aliás, se não fosses tu, até o concerto me passava ao lado... Dirás: "Tu não páras um segundo, pequenina!..."



«Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.»
(Manuel Alegre, O CANTO E AS ARMAS, CENTELHA, COIMBRA, 1974, 3ª EDIÇÃO, P. 121)
Nota: Não ler este post como uma alegada preferência política, as moscas que aqui vêm saberão decerto para quem me inclino nesse sentido.



Maria Rita inundou o Coliseu com a sua voz singular, interpretando ora frenética, ora serena e comovida as canções que constituem o seu último CD e algumas do primeiro álbum. Brilhantes interpretações em "Minha Alma", "Muito Pouco", "Não vale a pena", "Santa Chuva" e "Sobre todas as Coisas".