quarta-feira, dezembro 28, 2005

Sem Estrela

«A morte ia comigo e eu, com ela
E vi o seu ridículo vestido
O andar desajeitado e sem sentido,
O rosto com penteado de donzela,

Sendo tão velha, velha, no ruído
De suas meias e sapatos de heras.
Então não resisti e me ri dela,
Caçoava de seus gestos confundidos.

E desta sisudez que nada espera,
Mas sabe que na vida um só gemido
Pode fazê-la emudecer. Insisto

Em rir de sua passagem sem estrela,
Sem grandeza nenhuma. E se resisto,
É porque está em mim quem vai vencê-la.»

(Carlos Nejar, Sonetos do Paiol ao Sul da Aurora, 1997)