segunda-feira, abril 10, 2006

Domingos Monteiro (1903-1980)

«Pousa a tua cabeça no meu peito
Nas minhas mãos as tuas mãos inquietas
Vamos os dois caçar as borboletas
As quimeras dum sonho insatisfeito.

Será de lírios castos nosso leito

Como as almas dos lívidos profetas
De todo o mundo, enfim, virão poetas
Cantar o nosso amor calmo e perfeito

Ao jeito antigo, calçarás sandálias
E eu curvar-me-ei por sobre as áleas
Para beijar a sombra de teus pés.

Todos te sonharão em teu mistério
Serás p'ra eles como um vulto aéreo
Mas só eu saberei como tu és.»