quarta-feira, março 01, 2006

Match Point- finalmente...

Woody Allen surpreende com este filme dramático, onde o acaso e o comportamento humano têm papéis fortíssimos no desenrolar da estória... Deliciosas semelhanças com Crime e Castigo deslumbram ainda mais o espectador. Apenas que, desta vez, e ao contrário do que acontece no livro de Dostoievski, a personagem prossegue sem castigo... Ou se calhar, acaba por receber o pior castigo de todos, aquele a que Raskolnikov não conseguiu escapar, o do terror místico da culpa, como uma assombração permanente...
Extraordinária interpretação de Rhys Meyers, cujo olhar transporta em si mesmo a ambição desmedida, mas também implora à compaixão, já que somos todos tão basicamente humanos que nos revemos em muitos dos seus actos, na sua luta pela sobrevivência, tão mesquinha, mas tão tragicamente comum... E nele vemos também o que de mais linear existe numa paixão (ou no desejo, como a própria personagem refere) e que conduz a tantas loucuras e se revela um caminho tão despido após a sofreguidão animalesca com que se consome...
Risível a cada momento, embora trágico, o filme reporta-nos a um mundo real onde a sorte, esse caos inacessível, dita alguns dos caminhos...