sábado, fevereiro 25, 2006

Homenagem a Zeca Afonso (1929-1987)



«Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar
Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento
Na areia
Dorme à noite
Ao relento
Do mar
E se houver
Uma praça
De gente
Madura
E uma estátua
De febre
A arder
Anda alguém
Pela noite
À procura
E não há
Quem lhe queira
Valer
Vejam bem
Daquele homem
A fraca
Figura
Desbravando
Os caminhos
Do pão
E se houver
Uma praça
De gente
Madura
Ninguém vai
Levantá-lo
Do chão
Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar
Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento de areia
Dorme à noite
ao relento do mar.»
Ontem no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães relembrou-se um grande Homem... Um imenso Poeta... Zeca Afonso
E ouviu-se a voz de artistas possuídos pela mesma força das palavras e das músicas que ele compôs e que residem imortais na memória de Portugal.